
Ensaio fotográfico mostrou realidade sobre os amputados e sobreviventes da violência armada no Rio O jornal O GLOBO foi o vencedor da 45ª edição do Prêmio Vladimir Herzog na categoria fotografia, com o ensaio da série "Mutilados", que revelou o drama das amputações provocadas por ferimentos de armas de fogo e explosivos no Rio de Janeiro e no Brasil. A premiação é uma das mais importantes do jornalismo e vencida pela fotojornalista Márcia Foletto. Filho de policial que perdeu braço: 'Meu pai saber o que os colegas fizeram foi muito dolorido' Mutilados: sistema prisional do Rio tem 103 amputados por arma de fogo ou explosivos Na série de reportagens “Mutilados”, publicada em junho, Márcia precisou ir em busca de almas escondidas por trás de feridas. Feridas físicas e expostas. Pessoas que se permitiram, em uma série de ensaios fotográficos, mostrar mais de quem são além de suas cicatrizes. O que só foi possível, como explica, graças a uma relação de confiança construída entre a fotógrafa e fotografados. — O ato de apertar o botão da máquina é individual, mas esse trabalho foi resultado de um esforço coletivo da equipe. De pesquisa e de análise de dados, bem como o de construir uma relação de confiança com as pessoas que aceitaram compartilhar suas histórias. Tudo foi tratado com muito respeito, dignidade e carinho. Este prêmio é um dos mais importantes do jornalismo brasileiro e ganhamos todos nós com o reconhecimento e o investimento em boas reportagens — destaca Márcia. Para publicar a série “Mutilados”, equipes do jornal, durante cinco meses, se debruçaram sobre um emaranhado de sete mil páginas de documentos e dados obtidos por meio de mais de 50 pedidos de Lei de Acesso à Informação (LAI) a órgãos públicos para dimensionar a tragédia que não é esquadrinhada oficialmente. Também foram entrevistadas cerca de 40 pessoas, em 18 horas de gravações, e acompanhada a rotina de plantões da madrugada em centros de trauma de hospitais. A constatação é que, num estado em que fuzis — uma arma de guerra — são usados até para assaltar pedestres, ser vítima e sobreviver pode ser um milagre. Apenas nos últimos cinco anos, registros da letalidade violenta reunidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) fluminense mostram que 14.370 pessoas foram assassinadas por projéteis de arma de fogo no Rio, uma a cada três horas, sem contar os 7.276 mortos por intervenção de agente do estado.
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