A Seleção Brasileira, enfim, venceu sua 1ª na Copa do Mundo. Após a atuação decepcionante diante de Marrocos na estreia, a equipe comandada por Carlo Ancelotti aproveitou a fragilidade do Haiti e fez tranquilos 3 a 0 nesta sexta-feira (19), assumindo a liderança do Grupo C pelo saldo de gols.
Na próxima quarta-feira (24), o Brasil enfrenta a Escócia, em Miami, às 19h (horário de Brasília), no último jogo da 1ª fase. Marrocos, que enfrentará os haitianos na mesma data, disputa a liderança com a seleção pentacampeã mundial.
O triunfo contra o Haiti foi construído com dois gols de Matheus Cunha e um de Vinicius Júnior, mas o resultado vai além dos números. O confronto serviu para mostrar avanços importantes na proposta de jogo implementada por Ancelotti, embora também tenha deixado evidentes algumas limitações que podem custar caro diante de adversários mais qualificados.

Matheus Cunha muda a dinâmica do ataque
A principal evolução brasileira passou pela presença de Matheus Cunha como falso 9. Muito além dos dois gols marcados, o atacante foi peça-chave para dar equilíbrio ao setor ofensivo.
Ao recuar constantemente para participar da construção, Cunha atraiu os zagueiros haitianos para fora da área e abriu espaços para as infiltrações de Vinicius Júnior, Raphinha e, posteriormente, Rayan. O movimento permitiu ao Brasil atacar com mais profundidade, algo que faltou na estreia.
O primeiro gol simbolizou exatamente essa característica. Foi o próprio atacante quem iniciou a jogada ao recuperar a posse no campo ofensivo. Depois, acompanhou o lance até a área para aproveitar o rebote e abrir o placar. No segundo, recebeu assistência açucarada de Vini Jr e fuzilou de canhota, como típico ‘camisa 9’ sem chance para o goleiro haitiano.

Desde a chegada de Ancelotti, o Brasil tem apresentado melhor funcionamento coletivo sempre que Matheus Cunha está em campo. Sua movimentação oferece linhas de passe na saída de bola e cria condições para que os jogadores mais velozes explorem os espaços deixados pela defesa adversária.
Meio-campo ganha força com Bruno Guimarães e Paquetá
Outra mudança importante foi o posicionamento de Bruno Guimarães e Lucas Paquetá mais próximos do ataque, à frente de Casemiro.
Bruno foi um dos destaques da partida. Além da recomposição defensiva, distribuiu lançamentos precisos para quebrar linhas e encontrar os atacantes nas costas da defesa haitiana. Mesmo em lances anulados por impedimento, mostrou capacidade para acelerar o jogo com poucos toques.

Paquetá começou a partida abaixo, errando passes simples e demonstrando falta de ritmo. Porém, cresceu ao longo do confronto. Participou da recuperação da bola no segundo gol e coroou a atuação com um lançamento preciso para Vinicius Júnior marcar o terceiro.
Quando os dois meias encontraram sintonia, o Brasil passou a controlar melhor o jogo e criar situações de perigo com maior frequência.
Vinicius Júnior assume protagonismo
Se existe uma certeza para Ancelotti neste início de Mundial, ela atende pelo nome de Vinícius Júnior. O camisa 7 participou diretamente dos três gols contra o Haiti e esteve envolvido em todos os gols marcados pela Seleção Brasileira na Copa até agora.
Atuando aberto pela esquerda, explorou constantemente o 1×1 diante de uma defesa vulnerável. Sua velocidade e agressividade ofensiva foram determinantes para desmontar o sistema haitiano.

Mais do que números, Vini mostrou o comportamento esperado de um protagonista: chamou a responsabilidade e decidiu quando o Brasil precisou.
Casemiro preocupa
Apesar da vitória tranquila, nem tudo foi positivo. Casemiro teve mais uma atuação abaixo do esperado. O volante apresentou dificuldades para acompanhar as transições, mostrou lentidão na cobertura defensiva e pouco contribuiu na saída de bola.

Contra uma seleção de nível técnico inferior, seus erros tiveram impacto reduzido. Porém, diante de adversários mais fortes, a queda física e técnica do camisa 5 pode se transformar em um problema relevante para a equipe.
Laterais ainda limitam o jogo pelos lados
Outro ponto que segue gerando questionamentos é a participação ofensiva dos laterais. Douglas Santos cumpriu bem seu papel, auxiliando Vinicius Júnior na pressão alta e oferecendo apoio seguro pelo lado esquerdo. Sem grandes brilhos, fez o básico com eficiência.

Já Danilo teve atuação discreta. Funcionou quase como um terceiro zagueiro durante a construção e ofereceu pouca profundidade pelo corredor direito. A consequência é que tanto Raphinha quanto Rayan receberam pouca ajuda para criar superioridade numérica pelos lados, reduzindo as opções ofensivas do time.
Raphinha perde espaço
Raphinha foi um dos jogadores que menos aproveitou a oportunidade. Apesar dos espaços deixados pela marcação alta haitiana, o atacante desperdiçou chances importantes e teve participação discreta.

Além do desempenho técnico abaixo do esperado, preocupam as questões físicas. O atacante saiu de campo com uma lesão muscular e também com problemas no pé, fatores que podem abrir espaço para mudanças na equipe titular.
Segundo tempo sonolento e Endrick ‘salva’ espetáculo
Além disso, a equipe baixou demais a intensidade no segundo tempo e conviveu com o perigo de sofrer, ao menos, um gol do adversário. Alisson, que mal trabalhou nos primeiros 45 minutos, fez duas intervenções, sendo uma cabeçada na pequena área.

Nos sonolentos 45 minutos finais, aproveitou-se, enfim, a primeira aparição de Endrick, acionado na primeira metade do segundo tempo. O atacante do Real Madrid soube mostrar sua habilidade de pivô e ainda balançou as redes na primeira chance, após toque de Rayan. Pena que o impedimento milimétrico estragou tudo.
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